domingo, 19 de agosto de 2012



Tenho pensado bastante no termo Catarse, uma experiência de choque que causa uma mudança intensa no indivíduo, logo em a Origem vejo uma frase intensa relacionada ao termo: Quanto maior a mágoa, maior a catarse. Ficar fixado em um termo psicológico aleatório e nos próximos dias lembrar desse termo com pequenas coisas que o faz lembrar do mesmo pairando no dia-a-dia me traz à tona questionamentos de outrora sobre nada ser aleatório, tudo ter um propósito. É certo que a mente chama para a percepção coisas que necessitam de mudanças, essa também é uma boa hipótese para explicar essa atração pela catarse. Mas as coisas que chamaram-me atenção e remeteram-me ao termo estão à parte de mim, poderia minha mente influir na minha realidade para chamar-me atenção de que essa realidade precisa ser mudada? E por que esse texto já tem três camadas de perguntas que por sua vez estão inseridas uma nas outras?

Iria continuar a desenvolver teorias mas este pequeno texto acima já dita o que eu necessito atentar em descobrir uma resposta rápido ou pelo menos chegar ao cerne do que isso significa pra mim. Caso eu já não queira mais entender o que seja pode ser que uma oportunidade de grande saber passou ou a Catarse está completa.

Vampiro Auto-Modificado


Os olhos veem longe,
Possíveis outras portas.
Expectativas que já não eram mais vistas, mortas,
Emergem de um novo ser que porta belas máscaras.

Quando a noite vem e o faz pensar,
Ele decide então ser mais frio, intenso.
Deixa-me olhar profundo então,
Dessa vez sou novo.

Planos interrompidos,
Futuros destroçados.
Algo que tinha de mudar, coragem e controle.
Mais foco e autoafirmação completa a catarse.

Quando a noite vem e o faz pensar,
Ele decide então ser mais frio, intenso.
Deixa-me olhar profundo então,
Dessa vez sou novo.

Você lembra, mas muda a concepção
Em vista das suas utopias refletidas em mim!

Quando a noite vem e o faz pensar,
Ele decide então ser mais frio, intenso.
Deixa-me olhar profundo então,
Dessa vez sou novo.

domingo, 12 de agosto de 2012

Legião & Interpretações

Sempre dizem que por mais que você não seja fã de Legião Urbana pelo menos alguma música deles marcou um momento inesquecível da tua vida. Assim é comigo, ou foi, porque em certo ponto da história me tornei grande fã de Renato Russo. Você sabe quando as tuas ideias comungam com as de outra pessoa, assim é comigo quando ouço Legião Urbana.

Aqui vão as três músicas deles mais importantes para mim, quando digo importantes realmente tem um preço inesgotável em minha mente, flashes vão e vem à cada acorde, pensamentos correm livres com as melodias e inevitavelmente a garganta trava de pesar, melancolia e muita nostalgia.

Segue algumas interpretações encontradas no site Análise de Letras. Pra mim cada uma soam como algo familiar, complexo e talvez não tenha muito haver com a própria temática de cada uma, no entanto achei interessante anexar esses comentários sobre, que fazem total sentido.


Ha Tempos


“Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito…”

É um resumo da vida, do cotidiano. Toda existência é feita de sonhos; sem sonhos seriamos um vazio, um ser inanimado. Eles se esvaem à medida em que vamos envelhecendo, o que não quer dizer que isto seja ruim, já que outros nascem pra nos fazer acreditar e continuar a viver… No fim, vemos que nossas vidas se resumem a isto, a sonhos nunca realizados por que impossíveis ou fruto do contexto da época em que os criamos. Em sua maioria prejudiciais a nos mesmos. Enfim, “os sonhos vêm, os sonhos vão e o resto é imperfeição”

Comentário by Euclides Vargas — 2 de fevereiro de 2012




Eu Sei





Sinceramente acredito que seja um mistério a ser solucionado o nosso amigo poeta Renato Russo , como sempre um conflito interno nas frases palavras são erros e os erros são seus, não quero lembrar que eu erro também, um dia pretendo descobrir porque é mais forte quem sabe mentir, não quero lembrar que eu minto também…
A verdade é que julgamos eternamente e antes de julgar nossos atos preferimos julgar o dos outros e preferimos sempre buscar os defeitos e não as qualidades. Somos pássaro novo longe do ninho, eternamente imperfeitos….


Comentário by Thiago Ladeira — 20 de junho de 2011




Teatro dos Vampiros


Renato Russo na gravação do álbum MTV Acústico afirmou que a letra falava basicamente sobre a TV (daí o nome Teatro dos Vampiros).
Mas o nome da canção, sem sobra de dúvida, Renato Russo retirou do romance “Entrevista com o Vampiro” da escritora americana Anne Rice.
Lendo o livro ou vendo a sua adaptação para o cinema, encontramos o tal “Teatro dos Vampiros”, uma casa de espetacúlos situada em Paris, onde os vampiros da alta sociedade se encontravam para se divertirem assistindo espetáculos bizarros com frequentes sacrifícios de seres humanos.
Fazendo a analogia entre a letra da canção e a história criada por Anne Rice percebemos que talvez Renato Russo utilizou essa referência para mostrar que os meios de comunicação de massa (como a televisão) muitas vezes funcionam como o Teatro dos Vampiros, onde nós espectadores somos os seres humanos sacrificados.
Esse sacríficio pode ser entendido como o processo de banalização da TV aberta, principalmente no Brasil, onde os programas apresentados não cumprem outra função social a não ser deixar a cada dia a população mais e mais ignorante.
O sacríficio dos espectadores acontece para que os grandes interesses por trás dos meios de comunicação sejam alimentados. Como num teatro ou como num matadouro.


Comentário by Guilherme Alleoni — 15 de janeiro de 2012

A falsa unidade do eu (Hermann Hesse)



Hermann Hesse, in O Lobo da estepe, nos relembra de um dado da nossa existencia que frequentemente passamos por alto: Que somos uma multiplicidade, uma ciranda de reflexos do universo se rearrumando em um ponto de onde irradiamos para todas as partes. Essa caleidoscopia nos remete à noção da identidade múltipla em Fernando Pessoa. Diz Hermann Hesse:

“Nenhum eu, nem mesmo o mais ingénuo, é uma unidade, antes sim um mundo extremamente multifacetado, um pequeno céu estrelado, um caos de formas, estádios e condições, heranças e possibilidades. O facto de cada um por si aspirar a considerar este caos uma unidade, e falar do seu eu como se se tratasse de uma manifestação simples, fixa e solidamente modelada, claramente delimitada – esse engano, que é inerente a qualquer ser humano (mesmo superior), parece ser uma necessidade, uma exigência da vida, como a respiração ou a alimentação. O erro assenta numa simples transferência. De corpo, todo o homem é uno; de alma, nunca. ”



Por Rolando Lazarte em 30/12/2011


Utopia Musical I - Nights In White Satin (Moody Blues)






Noites em cetim branco, nunca chegando ao fim

Cartas que escrevi, nunca intencionadas para enviar

A beleza sempre foi, com estes olhos antes

Simplesmente o que a verdade é, eu não posso mais dizer

Por que eu te amo, sim eu te amo, oh, como eu te amo

Contemplando as pessoas, algumas de mãos dadas


O que estou passando eles não podem entender



Alguns tentam me dizer, pensamentos que não podem defender



O que você quer ser você será no final


E eu te amo, sim eu te amo

Oh, como eu te amo, oh, como eu te amo

Noites em cetim branco, nunca chegando ao fim

Cartas que escrevi, nunca intencionadas para enviar

A beleza sempre foi, com estes olhos antes

Simplesmente o que a verdade é, eu não posso mais dizer

Por que eu te amo, sim eu te amo

Oh,como eu te amo, oh, como eu te amo

Por que eu te amo, sim eu te amo

Oh, como eu te amo, como eu te amo

{Epílogo, falado}

Respire fundo a penumbra


Veja as luzes se apagarem em cada quarto



Bons compositores olham para baixo e lamentam



Energia inútil gasta em mais um dia



Amantes apaixonados lutam como um só



Homem solitário chora por amor e não tem nenhum



Nova mãe pega e amamenta seu filho



Cidadãos idosos desejam ser mais jovens



Esfera insensível comanda a noite



Remove as cores de nossa visão



Vermelho é cinza e amarelo é branco



E nós decidimos o que é certo



E o que é certo é uma ilusão



sábado, 11 de agosto de 2012

O Lobo Sou Eu


"Era uma vez um certo Harry, chamado o Lobo da Estepe. Andava sobre duas pernas, usava roupas e era um homem, mas não obstante era também um lobo das estepes. Havia aprendido uma boa parte de tudo quanto as pessoas de bom entendimento podem aprender, e era bastante ponderado. O que não havia aprendido, entretanto, era o seguinte: estar contente consigo e com sua própria vida. Era incapaz disso, daí ser um homem descontente. Isso provinha, decerto, do fato de que, no fundo de seu coração, sabia sempre (ou julgava saber) que não era realmente um homem e sim um lobo das estepes. As pessoas argutas poderão discutir a propósito de ser ele realmente um lobo, de ter sido transformado, talvez antes de seu nascimento, de lobo em ser humano, ou de ter nascido homem, porém dotado de alma de lobo ou por ela dominado; ou, finalmente, indagar se essa crença de que ele era um lobo não passava de um produto de sua imaginação ou de um estado patológico. É inadmissível, por exemplo, que, em sua infância, fosse rebelde, desobediente e anárquico, o que teria levado seus educadores a tentar combater a fera que havia nele, dando ensejo assim a que se formasse em sua imaginação a idéia e a crença de que era, realmente, um animal selvagem, coberto apenas com um tênue verniz de civilização. A esse propósito poder-se-iam tecer longas considerações e até mesmo escrever livros; mas isso de nada valeria ao Lobo da Estepe, pois para ele era indiferente saber se o lobo se havia introduzido nele por encantamento, à força de pancada ou se era apenas uma fantasia de seu espírito. O que os outros pudessem pensar a este respeito ou até mesmo o que ele próprio pudesse pensar, em nada o afetaria, nem conseguiria afetar o lobo que morava em seu interior.

"O Lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas, uma de homem e outra de lobo; tal era seu destino, e nem por isso tão singular e raro. Deve haver muitos homens que tenham em si muito de cão ou de raposa, de peixe ou de serpente sem que com isso experimentem maiores dificuldades. Em tais casos, o homem e o peixe ou o homem e a raposa convivem normalmente e nenhum causa ao outro qualquer dano; ao contrário, um ajuda ao outro, e muito homem há que levou essa condição a tais extremos a ponto de dever sua felicidade mais à raposa ou ao macaco que nele havia, do que ao próprio homem. Tais fatos são bastante conhecidos. No caso de Harry, entretanto, o caso diferia: nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça. Bem, cada qual tem seu fado, e nenhum deles é leve.

"Com nosso Lobo da Estepe sucedia que, em sua consciência, vivia ora como lobo, ora como homem, como acontece aliás com todos os seres mistos. ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. Por exemplo, se Harry, como homem, tivesse um pensamento belo, experimentasse uma sensação nobre e delicada, ou praticasse uma das chamadas boas ações, então o lobo, em seu interior, arreganhava os dentes e ria e mostrava-lhe com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera, aos olhos de um lobo que sabia muito bem em seu coração o que lhe convinha, ou seja, caminhar sozinho nas estepes, beber sangue vez por outra ou perseguir alguma loba. Toda ação humana parecia, pois, aos olhos do lobo horrivelmente absurda e despropositada, estúpida e vã. Mas sucedia exatamente o mesmo quando Harry sentia e se comportava como lobo, quando arreganhava os dentes aos outros, quando sentia ódio e inimizade a todos os seres humanos e a seus mentirosos e degenerados hábitos e costumes. Precisamente aí era qua a parte humana existente nele se punha a espreitar o lobo, chamava-o de besta e de fera e o lançava a perder, amargurando-lhe toda a satisfação de sua saudável e simples natureza lupina.

"Era isso o que ocorria ao Lobo da Estepe, e pode-se perfeitamente imaginar que Harry não levasse de todo uma vida agradável e feliz. Isso não quer dizer, entretanto, que sua infelicidade fosse por demais singular (embora assim lhe pudesse parecer, da mesma forma como qualquer pessoa torna o sofrimento que se abate sorte ela como sendo o maior do mundo). Isso não pode ser dito a propósito de ninguém. Mesmo aquele que não tem em seu interior um lobo, nem por isso pode ser considerado mais feliz. E mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras. Assim também acontecia com o Lobo da Estepe. Não se pode negar que fosse, em geral, muito infeliz, e podia também fazer os outros infelizes, especialmente quando os queria ou era por eles estimado. Pois todos os que com ele se deram viram apenas uma das partes de seu ser. Muitos o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refina e arguta, e mostraram-se horrorizados e desapontados quando descobriam o lobo que mostrava nele. E assim tinha de ser pois Harry, como toda pessoa sensível, queira ser amado como um todo e, portanto, era exatamente com aqueles cujo amor lhe era mais precioso que ele não podia de maneira alguma encobrir ou perjurar o lobo. Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigosos e forte, e estes achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos. Em geral, estes se mostravam mais desapontados e irritados do que os outros, e dessa forma o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas."

in O lobo da estepe
Herman Hesse
direitos da tradução: Editora Record

A mudança em Teen Idle

O choque é necessário para a mudança, mas se dispor a mudar é mais vital ainda, sem contar que se o indivíduo não se move para algo novo, longe de sua área de conforto, longe dos lugares conhecidos, longe das pessoas do passado se torna algo quase impossível. Choque > Mudança de Pensamento > Mudança de Objetivos > Mudança de Lugar > PROCESSO DE CATARSE COMPLETO.






Jovem Ocioso
Eu quero ser uma loira oxigenada
Não sei porquê, mas eu me sinto enganada
Eu quero ser uma jovem ociosa
Eu queria não ter sido tão comportada
Eu quero ficar dentro de casa o dia todo
Eu quero que o mundo suma
Eu quero sangue, tripas e bolo de chocolate
Eu quero ser uma verdadeira mentira

É, eu gostaria de ter sido
Eu gostaria de ter sido um jovem, jovem ídolo/ocioso
Gostaria de ter sido rainha do baile, lutando pelo título
Ao invés de ter dezesseis anos e estar queimando uma bíblia
Me sentido super, super, super, suicida

Os anos perdidos, a juventude desperdiçada
As lindas mentiras, a verdade feia
O dia chegou em que eu morri
Só para descobrir que eu vim à vida

Eu quero ser uma pura virgem
Uma puta do século 21
Quero de volta a minha virgindade, para que eu possa me sentir plena
Eu quero beber até sofrer
Eu quero fazer um grande erro
Eu quero sangue, tripas e Pão-De-Ló
Eu vou vomitar tudo isso de qualquer jeito

É, eu gostaria de ter sido
Eu gostaria de ter sido um jovem, jovem ídolo/ocioso
Gostaria de ter sido rainha do baile, lutando pelo título
Ao invés de ter dezesseis anos e queimando uma bíblia
Me sentido super, super, super, suicida

Os anos perdidos, a juventude desperdiçada
As lindas mentiras, a verdade feia
O dia chegou em que eu morri
Só para descobrir que eu vim à vida

Vim à vida, vim à vida

Eu queria não ser tão narcisista
Eu queria que eu realmente não beijasse o espelho quando estou sozinha
Oh Deus, eu vou morrer sozinha
Adolescência não fez sentido
Uma pequena perda de inocência
Os horríveis anos sendo uma tola
A juventude não foi feita pra ser bela?

É, eu gostaria de ter sido
Eu gostaria de ter sido um jovem, jovem ídolo/ocioso
Gostaria de ter sido rainha do baile, lutando pelo título
Ao invés de ter dezesseis anos e queimando uma bíblia
Me sentido super, super, super, suicida

Os anos perdidos, a juventude desperdiçada
As lindas mentiras, a verdade feia
O dia chegou em que eu morri
Só para descobrir que eu vim à vida
Só para descobrir que eu vim à vida
Só para descobrir que eu vim à vida
(Vim à vida)
(Me sentindo super, super, super)
(Me sentindo super, super, super)
(Me sentindo super, super, super)